terça-feira, 26 de maio de 2009

Entrevista com o Profissional

Lúcia Oliveira possui 29 anos, é uma profissional da Gestalt, trabalha na área há três anos, se formou em 2005, mas só começou a aplicar a Gestalt em hospitais no ano de 2006. Diz que escolheu essa teoria, pois concorda que seja uma linha mais dinâmica, que dá valor ao passado, mas o que mais importa é o aqui e agora, enfatizando as referências do presente do paciente.
Afirma que não só a Gestalt, mas outras teorias abordam os aspectos do desenvolvimento humano. A Gestalt reafirma tudo o que foi estudado, tentando integrar todas as teorias na prática, não tendo fase estipulada para a aplicação de sua teoria, ela trabalha com todas as idades, mais a profissional tem preferências por adultos e idosos.
Na sua prática em consultas aplica vários métodos, como a cadeira vazia, desenhos, recortes, colagens, técnicas psicodramáticas e técnicas de aplicações, trabalhando também com a argila. Os objetivos da Gestalt-Terapia é fazer com que as pessoas se tornem autônomas e através de seus métodos tentarem reestruturar a percepção e a consciência do indivíduo. Se diferenciando das outras teorias, pois trabalha com o corpo, com as sensações e com as técnicas, se diferenciando mais da Psicanálise.
Na relação terapeuta-paciente, os dois se apresentam no mesmo nível. Às vezes, quando é propício, e com muito cuidado. Fala-se de casos que aconteceu com o profissional para poder ajudar aquela pessoa, mas ressaltou que deve ter muito cuidado, pois não é uma relação de amizade, apesar da proximidade, havendo sempre um respeito.
Afirma que o ser humano se constitui a partir daquilo que o marcou (passado), por isso trabalha em suas práticas com figuras (presente) para o indivíduo fazer uma retrospectiva de sua vida, para assim, ela poder detectar o problema de seu paciente. Não concorda com esses sites de terapias-online, pois acredita que não seja algo seguro e confiável.
Os profissionais da Gestalt se preocupam com o “por que” mais não enfatizam, porque é através do tempo real (presente) que consegue ter um entendimento global da situação, sendo assim o começo para a mudança. Comenta que para a Gestalt a relação do homem com o meio ambiente é bastante interligada.
A terapia aborda além do “aqui e agora” outros elementos, como, “o que é”, “para que” e “onde”, com o objetivo do paciente descrever e chegar até a essência do objeto, com tais elementos. Esses elementos usados nas práticas terapêuticas ajudam a evidenciar as dificuldades que o indivíduo encontra no seu ambiente. O ser humano é o ambiente e o ambiente é o ser humano. Ao trabalhar com a percepção analisa como ela ver o mundo, vendo o sentido que dá a esse ambiente, analisando todo o contexto, o ambiente.
Ao perguntar se as patologias eram consideradas como mecanismos de defesa para a Gestalt, ela diz que na verdade se trata de uma disfunção de contato. Foi a melhor forma que a pessoa encontrou para lidar com determinadas situações. Não seria um mecanismo porque esse termo é bem ligado a causa e efeito, máquina, e não é no que a Gestalt se baseia pra olhar o ser humano, mas são defesas sim, olhando de uma perspectiva da saúde, do caminho, da direção para a saúde, a forma como ele encontrou de manter a saúde e ter sua estruturação psíquica saudável. Se fosse de outra maneira ele teria, ou surtado, desencadeado alguma doença ou suicidado.

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